sexta-feira, 18 de novembro de 2016

hooligans


Não é justo. Hooligans da claque do Nancy e do Feyenoord juntaram-se para andar à pancada e agora toda a gente fala nisso. Vem em tudo o que é jornal europeu, incluindo Portugal.
O problema de Portugal é precisamente esse. Neste país só se dá importância ao que vem lá de fora. Eu próprio já tinha tinha uma iniciativa igualzinha, ou quase, e ninguém me ligou nada. Nesta terra não se dá valor ao que é nacional.
Quando eu era dos Ultra Carqueijo, desafiei o pessoal todo dos Ultra Ribeira da Azenha para um ajuste de contas igual e foi um espectáculo. Alguém ligou? Não. Está bem que éramos só dois, um de cada claque (por isso é que as claques se chamam Ultra e não Ultras), mas o Anastácio também entrou e acabámos por ser três. Está bem que o Anastácio só entrou porque a luta foi no Estádio do Carqueijo e nós estávamos a pisar os grelos que ele estava a cultivar na Curva Norte, mas a verdade é que ele mostrou estar à altura. Trouxe o ancinho e tudo, que aquilo não é para maricas como estes gajos do Nancy e do Feyenoord que só lutam sem armas.
Eu fui para casa com três furos nas nalgas e no dia seguinte já estava no estádio a ver o jogo, com cânticos e a fazer a onda, e vocês não imaginam o que é fazer a onda à volta do estádio quando se é apenas um. É sempre a correr...

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

segredos cor de laranja

(da revista Sábado)
Até há bem pouco tempo, Paulo Ricardo Teixeira era apenas um ilustre desconhecido. Os únicos que lhe ligavam alguma coisa eram a sua família, os concorrentes do famoso concurso Miss e Mister JSD Santana (sim, existe mesmo um concurso organizado pela JSD para eleger os mais elegantes de Santana, na Madeira) e os concorrentes da Casa Dos Segredos, programa onde o mesmo participa e tem um segredo fenomenal que é ser político, mais propriamente líder da JSD de Marco de Canaveses.
Hoje em dia, para além de todos os referidos, eu também lhe ligo alguma coisa. É que acredito que Paulo Ricardo Teixeira está a tentar passar uma mensagem importante a todo o país: ser líder da JSD em Marco de Canaveses exige um esforço tão grande e tira tanto tempo que é preciso fazer um retiro espiritual de vez em quando. Por exemplo, na Casa dos Segredos. É a nobreza da política em todo o seu esplendor...
Aliás, ser político é isso mesmo: qual Messias indicar a todos nós qual o melhor caminho para um mundo melhor. É por isso que o mesmo afirma querer "eliminar o paradigma de que só um tipo de pessoas participa neste programa". É apenas um pequeno passo para ele, mas um grande passo para os Reality Shows, mundo em que passa a haver um antes e um depois de Paulo Ricardo Teixeira. Antes dele só havia um tipo de pessoas, depois dele há dois.
O primeiro tipo de pessoas é aquele tipo dos que sempre concorrem a este tipo de programas, o segundo tipo de pessoas é ele próprio. É claro que este novo tipo de concorrentes tem uma série de vantagens, o que também faz parte da grande mensagem que Paulo Ricardo Teixeira quer passar à população. É que o concurso chama-se Casa dos Segredos e não há maiores especialistas em segredos do que a totozada da família social democrata. Aliás, há históricos laranjas com segredos que, mesmo depois de todos os saberem continuaram a ser segredos.
Passos Coelho conseguiu manter segredos sobre a sua dívida à Segurança Social e sobre as as fraudes fiscais na Tecnoforma; Marques Mendes escondeu segredos sobre a sua venda de acções por um preço 60 vezes abaixo do valor de mercado, quando era administrador da Isohidra, e também que andou a pedir favores a um arguido do caso vistos gold; Cavaco Silva escondeu segredos sobre todos os seus amigos, incluindo Dias Loureiro e um banco inteiro chamado BPN. Podia fazer uma lista interminável de segredos cor de laranja, mas sei que a tarefa fica bem entregue a Paulo Ricardo Teixeira.
No futuro, tal como no presente, por certo este tipo continuará a fazer do segredo a sua verdadeira missão. Ah! e que não se esqueça do tal concurso em Santana, tão importante para a política nacional. Não é segredo nenhum.

link na revista Sábado

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

toda a verdade sobre as Bolas de Berlim...

foto Diário de Notícias
A Polícia apreendeu e destruiu duzentas e dez Bolas de Berlim numa praia da Costa da Caparica mas, falemos a sério, Portugal é sempre a mesma coisa. Não se combate o mal pela raiz e depois fazem-se estas apreensões só para inglês ver. É um bocado tapar o Sol com a peneira.
Toda a gente sabe que não existe uma política real de combate ao consumo das Bolas de Berlim no nosso país. O consumo começa, aliás, normalmente numa idade ainda jovem e muitas vezes na própria escola, onde as Bolas de Berlim são vendidas à descarada.
Eu comecei assim, admito. Um dia um tipo passou por mim e ofereceu-me um torrão de Alicante. Disse-me que não fazia mal nenhum e eu aceitei, mais pela experiência e curiosidade do que outra coisa qualquer. No dia seguinte perguntou-me se eu tinha gostado e ofereceu-me outro, que eu comi avidamente. A partir daí obrigou-me sempre a comprar para satisfazer o vício. Foi um instante até chegar a coisas muito mais pesadas como as Bolas de Berlim.
É claro que, como não tinha dinheiro, passei a vender o produto nas ruas. Vendi de tudo e acabei por meter alguns amigos meus no vício. Ainda hoje o Joaquim está totalmente dependente de Cartuchos de Chocolate. Já foi para os Estados Unidos duas vezes tratar-se, mas quando volta acaba por cair de novo na tentação. À conta disso já deu cabo da fortuna do pai e acabou a roubar.
Eu sei do que falo. Em Portugal estas apreensões fazem-se só para fingir. Aliás, posso garantir que há informadores dentro da polícia e, sempre que há uma rusga combinada, os pasteleiros já sabem com antecedência. É uma podridão, pá! Eu cheguei a ver alguns polícias que também andavam na vida a extorquir os tristes para satisfazerem o próprio vício. A mim, uma vez, dois bófias apanharam-me com duas dúzias de rabanadas e consumiram-nas logo ali, à minha frente, tal era o vício. Depois avisaram-me que era melhor calar-me e não dizer nada.
Portugal não está preparado para nada disto. É muita corrupção. Por isso é que eu fugi para El Salvador e depois para a Colômbia. Não tem nada a ver, garanto.
Alguém acredita, por exemplo, que só havia duzentas e dez Bolas de Berlim na carrinha?! Eu não. Eram umas quinhentas... para aí. As outras foram todas abocanhadas por barrigudos da GNR.


sábado, 27 de agosto de 2016

Era um burquíni pequenino às bolinhas amarelas...

autor desconhecido


Nunca liguei nada à moda. Aliás, durante anos perguntei-me a mim mesmo mesmo como é que uma coisa chamada Fashion tv, que não era mais do que uma série de mulheres (ou homens, mais raramente) a caminhar numa passadeira com roupa que não lembra nem ao diabo, podia ser um canal de televisão. Perguntei-me, mas nunca me respondi. Afinal de contas só era obrigado a ver aquilo quando ia comer uma francesinha a um tasco perto de Aveiro que não passava outra coisa no televisor.
O senhor Belmiro babava-se a ver as mulheres quase nuas a caminhar de um lado para o outro durante um dia inteiro, mas desde que não se babasse para cima da minha francesinha, não havia problema nenhum. Aliás, até tinha vantagens. Nos dias em que havia o futebol era o único tasco que não estava repleto de gajos barrigudos a torcer pelo Porto ou pelo Benfica e eu aproveitava para jantar em paz, quase sozinho. Eu, o senhor Belmiro a babar-se e um grupo de mulheres quase nuas a andar numa passadeira sem nunca chegar a lado nenhum.
Claro que o dia fatal acabou por chegar. O homem babou-se para cima da minha francesinha e eu nunca mais lá pus os pés. Foi o fim da minha estreita relação com o mundo da moda. Até hoje, pelo menos, momento em que o mundo vira os olhos para o uso de burquíni na França e o direito, ou não, de qualquer mulher o usar.
Não sei quem foi o génio que, depois de terem morrido milhares de pessoas na guerra do Iraque e da Síria, mas alguns milhares de refugiados a tentar atravessar um oceano num barco de papel, mais algumas centenas boas centenas em atentados espalhados um pouco por todo o mundo, decidiu que a questão fulcral da coisa é a maneira como uma mulher se veste quando vai à praia. Mas eu cá acho bem. É que ainda ontem fui à praia e estava lá uma tipa bem boa toda vestida. Pensei logo: "estas gajas deviam ser proibidas de vir para aqui vestidas!". É que isto não se faz...
Para quê discutirmos o negócio do armamento, a indexação do preço do petróleo ao dólar americano, a primeira invasão do Iraque em busca de armas de destruição em massa que nunca apareceram, os papelinhos do Panamá, o conflito no médio oriente ou o domínio do Goldmans Sachs sobre o mundo, se podemos resolver tudo obrigando as gajas a despirem-se na praia?
Eu cá acho bem. É que se me der para ir a uma praia em França um dia destes, quero ver mulheres nuas ou com biquínis sem pano no rabo e tops que não são mais do que uma estrelinha no bico das mamas. Vestidas é que não. Só uma sugestão: quando obrigarem as mulheres a tirar o burquíni, obriguem-nas também a fazer a depilação.